O provérbio, atribuído, como tantos, à sabedoria popular, refere-se, ainda que de forma algo estranha mas ainda assim directa, ao facto de qualquer avaliação partir da consideração do caso concreto e da sua comparação com um padrão, considerado como a normalidade. Assim, se o padrão da normalidade é a cegueira, quem tiver um olho transcende todos os demais, evidenciando-se e destacando-se. Porém, se a normalidade é ter dois olhos, quem tem um está abaixo do tal padrão e é considerado deficiente e inapto. Assim se explica, com as devidas adaptações, o (des)valor da equipa do benfica: no meio de tanta cegueira, um velhinho e um manco conseguem destacar-se, quando, numa equipa normal - vá, onde todos soubessem, pelo menos, jogar à bola ou, no mínimo, que os cotovelos não fazem parte dos membros essenciais para a marcação de um golo - não deixariam de estar remetidos ao banco. É caso para dizer, não só este país não é para velhos, como em equipa de mancos, quem se habituou a jogar com uma perna mais curta do que outra é Rei!
P.S. ...E que jeito deu aquela perna mais curta no golo contra o Getafe!...
P.S. ...E que jeito deu aquela perna mais curta no golo contra o Getafe!...